"Nem luz, nem dia,
A festa acabou quando o verão se foi.
Um rio que corria, agora é apenas um espelho gélido.
Tudo que era cor e vida, agora jaz sob um manto branco e cinza.
Sinto o vento frio a cortar fundo minha carne,
O vazio que impera nas ruas é igual ao de meu coração.
A sua partida levou consigo os últimos raios de sol,
A ilusão de que tudo seria eterno se partiu.
Enquanto a bela neve cai sobre tudo,
A beleza da dor se instala nesta moradia vazia que meu coração se tornou.
Congelado, tudo se quebra mediante a um toque suave.
E se o inverno não consumir a tudo, talvez no próximo verão, a vida retorne aqui."
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quarta-feira, 14 de março de 2012
sexta-feira, 2 de março de 2012
Soberana do meu coração.
Um grito de desespero
preso na garganta,
E eu aqui
impotente diante de tua dor.
Apenas
querendo captar as tuas lágrimas com meu amor.
Anseio por
poder te envolver nos braços,
Fazer-te esquecer
que dor e sofrimento são reais.
Transformar
em faz-de-conta toda a tua angústia.
Dar-lhe
apenas o lado doce de amar.
Mas meu amor
nunca será aquilo que irá sanar essas feridas,
Pois se até
o sol que é forte, mal transforma o mar em sal,
Como posso
eu, que nada sou além de teu,
Transformar
essas lágrimas em mel?
Se por pura
vontade, pudesse te fazer feliz,
Teria agora
neste lindo rosto o maior de todos os sorrisos.
Se por pura
determinação, conseguisse te fazer esquecer,
Apenas de
dias de verão e borboletas lembrarias.
Só eu sei o
quanto quero curar estas assas,
Dar a ti,
doce criatura, uma nova chance de voar.
Fazer meu
coração sangrar no lugar do teu,
Se isto for
preciso para de uma vez por todas fazer o pranto secar.
Diante de
ti, sou apenas um bobo-da-corte,
Que a todo
custo tenta distrair a sua rainha,
Mas se não
olhares para mim,
Como posso
ser eu o motivo da tua alegria?
Minha menina
triste,
Eu estou de
joelhos implorando para que me dê uma chance,
A chance de
ser aquele que cuida de teu coração,
Aquele que
nunca permitirá que ele se parta ou que sangre.
Pois se
puder de algum modo te trazer para o reino que criei,
Apenas para
que possas ser a rainha do meu coração,
Onde tua
felicidade é a lei soberana,
Esteja certa
que já o terei feito antes que derrames uma nova lágrima sequer.
A tua dor é
minha, e meu amor é teu.
Se eu
pudesse te libertar desta prisão de dor,
Seria a
minha redenção diante de todos os meus pecados.
Mesmo que
para isso tivesse de dar cabo ao meu próprio coração."
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sábado, 25 de fevereiro de 2012
Guerra.
"Sou de paz, meus amigos.
Mas vou pra guerra, porque preciso.
Pinto meu rosto e ponho a armadura.
Escolho as armas com que sei lutar.
Até a vitória sigo sem medo,
Me ponho diante de meus inimigos,
Minha melhor munição é a coragem,
E por mim luto até a última gota de sangue.
Com minha espada e meu escudo,
Defendo minha vida bravamente.
Conto com a ajuda de leais companheiros,
Aqueles por quem matarei ou morrerei também.
Cada corte na carne, cada gota rubra,
Tudo é para fazer a vitória valer mais,
As marcas que ficarão, serão para lembrar de cada um que caiu.
Cada um que eu levar a queda, será por necessidade.
Mas amigos, não há clemencia nesta guerra,
Nem para nós nem para eles,
Ninguém sairá escravo, mas apenas os vencedores saem de pé.
E eu serei a guerreira que nada impedirá!"
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Do que é feito um rei.
Passei diante daquele que há muito e por muito tempo, foi o
senhor de mim, e vi que ele nada mais é que apenas mais um plebeu no meio da
multidão.
Como pude tratá-lo
como um soberano, se ele daria diamantes aos porcos?
Como pude dar a ele um tesouro que ninguém mais teria, e não
perceber que ele nunca entenderia o valor daquilo que lhe era ofertado?
Fui mesmo uma tola em
pensar que seria capaz de ensinar um qualquer a ser um Lorde digno de ocupar o
trono, de governar um reino rico, lindo e cheio de magia. Mas não poderia saber
que por trás daqueles lindos olhos que tanto me encantavam com toda aquela
doçura e calor, se escondia um pobre diabo que nada sabia sobre o que é ter
tanto nas mãos, mas não ouso dizer que fui enganada, nem que sabia o que estava
fazendo. Posso apenas dizer que julguei mal aquilo que escolhi como senhor de
mim, e que agora vivo tempos de anarquia no coração, pois nem mesmo eu, consigo
segurar a rebelião que a queda deste rei criou aqui. Apenas espero que ele encontre
seu lugar no mundo, mas que certamente não é no meu, mas foi, por um longo
tempo, mesmo quando ele já havia abandonado o trono, pois eu ainda era a sua
rainha, e aguardava, em vão por seu retorno. Mas agora percebo que ele nunca
reinou de fato, eu o nomeei rei, mas um rei é feito mais do que de roupas
belas, uma coroa e um trono.
Vejo agora, ao vê-lo como o plebeu que é compreendendo
finalmente que não se pode apenas dar a alguém o poder, se este não souber
usar, pois de nada vale dar o trono a um fraco, que diante da primeira decisão
que tiver de tomar, irá se curvar de joelhos e entregar a coroa ao primeiro que
tentar tomá-la. Poder não se ganha, se conquista. E nem que ninguém governará
sozinho um reino que é meu por direito, e mérito.
Agora sei que um dia alguém lutará contra os anarquistas,
para restabelecer o reino, um guerreiro que não precisará de armadura reluzente
e um cavalo branco, apenas vontade, força, e coragem para governar e restaurar
o reino e desfrutar de sua rainha. Alguem que saberá partilhar a dor dará valor
ao mais ínfimo detalhe de sua coroa e adorará a simplicidade do castelo que ele
por mérito conquistará.
Mas enquanto o tempo de paz não chega, eu aqui, tento
pacificar a rebelião a espera daquele que será o verdadeiro nobre, de coração e
atos, que terá a honra de governar ao meu lado, e não mais acima de mim.
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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Mar e cinzas.
"A minha paz está nos braços do meu algoz.O meu coração, num jarro cheio de cinzas.
Apenas deixo o mar me levar em suas ondas...
Enquanto as lágrimas escorrem o rosto e lavam o peito ferido.
Enquanto vejo o vento espalhar o pouco que sobrou,
E o laconismo dos sentimentos a se fixar.
As flores que aos poucos murcham e desbotam,
São apenas um reflexo do que aconteceu.
O sol que se esconde atrás das nuvens,
Acinzenta um dia que era azul...
Perdida das vistas do resto mundo,
Vejo apenas a luz que está a se apagar.
O ar aos poucos começa a faltar...
Enquanto o mundo se torna um borrão.
E me afogo devagar neste mar em tempestade.
Pensando apenas no que poderia ter sido."
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