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quarta-feira, 14 de março de 2012

Inverno.

"Nem luz, nem dia,
A festa acabou quando o verão se foi.
Um rio que corria, agora é apenas um espelho gélido.
Tudo que era cor e vida, agora jaz sob um manto branco e cinza.


Sinto o vento frio a cortar fundo minha carne,
O vazio que impera nas ruas é igual ao de meu coração.
A sua partida levou consigo os últimos raios de sol,
A ilusão de que tudo seria eterno se partiu.


Enquanto a bela neve cai sobre tudo,
A beleza da dor se instala nesta moradia vazia que meu coração se tornou.
Congelado, tudo se quebra mediante a um toque suave.
E se o inverno não consumir a tudo, talvez no próximo verão, a vida retorne aqui."

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Desculpas (Flor).

Gente, aqueles que vieram aqui durante essa semana que me ausentei, agradeço a atenção e carinho.
Eu também preciso foliar, mas estejam certos de que tudo que vivi está entranhado na pele e no peito, e invariavelmente será compartilhado com aqueles que têm o acesso mais íntimo a mim depois, claro de eu mesma, e a partir de hoje, já serão normalizadas as atualizações. A todos os meus amigos e leitores tão devotados que aceitam o meu mundo de presente em forma de texto, reitero o agradecimento e deixo beijos.
De presente, um texto para me desculpar com todos.


Flor.



"Aqui na noite triste sem lua no céu,
Me despeço de minha bela flor.
Vejo a sereia que me enfeitiça a balançar os quadris,
Indo em direção à seu porto e me deixando ao relento.


Tenho de me contentar com seu riso fácil,
Seu jeito de menina presa ao corpo de mulher.
Tenho de aceitar que meu botão de Rosa,
Desabrochou, é flor nova no orvalho.


Minha linda flor branca como as nuvens,
Seus olhos tão negros quanto esse céu que me cobre,
Esses lábios de um rosáceo tão suave,
Porque tem de ser colhida?


Morena, que nunca será minha,
Nem menina nem mulher.
Brinca com esse pobre coração
Que é teu espinho em minha carne."

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Partida.

"Aqui estou eu vendo a porta aberta.
E o lugar que era seu vazio.
Sinto o silêncio que grita e ecoa nessas paredes.
O tempo que apenas se arrasta.

Tudo aqui está congelado,
O teu retrato ainda nas paredes.
Teu cheiro ainda nas roupas.
O amor ainda aqui no meu peito.

Me sinto parte da mobília,
A vida deste lugar se foi.
Não sinto mais nenhuma alegria.
Onde estará você, meu grande amor?

As cores todas estão desbotadas,
Mas tenho que me acostumar com este adeus.
Deixar de procurar você nos lençóis.
Dar ao mundo os sorrisos que eram apenas teus.

Canto a tristeza e a melancolia.
Esses dias irão pra nunca mais.
Arde tudo aqui no peito.
Tu fostes sem nem um mas...

Ainda não sei o porque,
Mas a porta ainda está aberta.
Chorarei aqui baixinho.
E deixarei de pensar aos poucos na tua partida."

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Atuação.

"Sombrios os olhos da menina, que teve o coração partido.
Lembro do dia em que a vi pela primeira vez,
Sinto ainda seu sorriso cheio de luz a mudar minha vida.

Tenho a certeza das coisas, a dúvida do destino.
Um sorriso triste, uma lágrima escondida.
Os olhos a buscar o tesouro perdido.

Pobre menina, que tenta fingir...
Passa a vida a seguir sem forças.
Sente a vida pulsar a volta.

E quando as luzes da ribalta se acendem,
Atua, para que não vejam a dor,
Eu, apenas eu vejo, quando me olho diante do espelho."