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segunda-feira, 19 de março de 2012

O despertar.

"Percebes no peito o palpitar inquieto de uma certeza partida.
A lágrima que escorre pelas faces, é gota de chuva,
A tempestade se aproxima e o trovão já se pode ouvir.
Na quietude do mundo, tudo o que resta é aguardar...


E estes olhos ainda meninos inocentes,
Conhecerão ainda a beleza do amar incondicional,
Saberão a dor e a miséria que o mundo esconde em seus confins,
E tornarão a chover e o peito tornará a trovejar.


Tudo parecerá perder o sentido simples,
Da visão que esta candura e doce ignorância davam por deleite do mundo.
Mas novos rumos se criam quando o caminho precisa ser mudado,
E teus pés te levarão ao caminho que precisar ser seguido.


Apesar das certezas partidas e ilusões esclarecidas,
Um novo mundo, com novas regras se abrirá diante de ti.
E teu despertar sereno do mundo das ilusões,
Trará o reconhecimento de uma realidade de infinitas possibilidades.


Saber-se-á que o tempo é eterno e nós não,
Mas isso apenas trará sabor a vida que morte um dia ceifará.
E enquanto a placidez do tempo se instala novamente em seu seio,
Morte e vida se alternam numa guerra que ninguém pode vencer."

quarta-feira, 14 de março de 2012

Inverno.

"Nem luz, nem dia,
A festa acabou quando o verão se foi.
Um rio que corria, agora é apenas um espelho gélido.
Tudo que era cor e vida, agora jaz sob um manto branco e cinza.


Sinto o vento frio a cortar fundo minha carne,
O vazio que impera nas ruas é igual ao de meu coração.
A sua partida levou consigo os últimos raios de sol,
A ilusão de que tudo seria eterno se partiu.


Enquanto a bela neve cai sobre tudo,
A beleza da dor se instala nesta moradia vazia que meu coração se tornou.
Congelado, tudo se quebra mediante a um toque suave.
E se o inverno não consumir a tudo, talvez no próximo verão, a vida retorne aqui."

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Mar e cinzas.

"A minha paz está nos braços do meu algoz.
O meu coração, num jarro cheio de cinzas.
Apenas deixo o mar me levar em suas ondas...
Enquanto as lágrimas escorrem o rosto e lavam o peito ferido.


Enquanto vejo o vento espalhar o pouco que sobrou,
E o laconismo dos sentimentos a se fixar.
As flores que aos poucos murcham e desbotam,
São apenas um reflexo do que aconteceu.


O sol que se esconde atrás das nuvens,
Acinzenta um dia que era azul...
Perdida das vistas do resto mundo, 
Vejo apenas a luz que está a se apagar.


O ar aos poucos começa a faltar...
Enquanto o mundo se torna um borrão.
E me afogo devagar neste mar em tempestade.
Pensando apenas no que poderia ter sido."