Mostrando postagens com marcador Melancolia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Melancolia. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 2 de março de 2012

Soberana do meu coração.


"Vejo esses olhos marejados a fitar os meus.
Um grito de desespero preso na garganta,
E eu aqui impotente diante de tua dor.
Apenas querendo captar as tuas lágrimas com meu amor.

Anseio por poder te envolver nos braços,
Fazer-te esquecer que dor e sofrimento são reais.
Transformar em faz-de-conta toda a tua angústia.
Dar-lhe apenas o lado doce de amar.

Mas meu amor nunca será aquilo que irá sanar essas feridas,
Pois se até o sol que é forte, mal transforma o mar em sal,
Como posso eu, que nada sou além de teu,
Transformar essas lágrimas em mel?

Se por pura vontade, pudesse te fazer feliz,
Teria agora neste lindo rosto o maior de todos os sorrisos.
Se por pura determinação, conseguisse te fazer esquecer,
Apenas de dias de verão e borboletas lembrarias.

Só eu sei o quanto quero curar estas assas,
Dar a ti, doce criatura, uma nova chance de voar.
Fazer meu coração sangrar no lugar do teu,
Se isto for preciso para de uma vez por todas fazer o pranto secar.

Diante de ti, sou apenas um bobo-da-corte,
Que a todo custo tenta distrair a sua rainha,
Mas se não olhares para mim,
Como posso ser eu o motivo da tua alegria?

Minha menina triste,
Eu estou de joelhos implorando para que me dê uma chance,
A chance de ser aquele que cuida de teu coração,
Aquele que nunca permitirá que ele se parta ou que sangre.

Pois se puder de algum modo te trazer para o reino que criei,
Apenas para que possas ser a rainha do meu coração,
Onde tua felicidade é a lei soberana,
Esteja certa que já o terei feito antes que derrames uma nova lágrima sequer.

A tua dor é minha, e meu amor é teu.
Se eu pudesse te libertar desta prisão de dor,
Seria a minha redenção diante de todos os meus pecados.
Mesmo que para isso tivesse de dar cabo ao meu próprio coração."

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O retorno da gata.


"Os olhos gulosos a devorar cada detalhe do mundo.
Este corpo irradiando paixão, sonhos e um ar de melancolia.
O caminhar vadio pelas ruas da cidade.
No peito pulsando o desejo de viver na batida de um blues.


Seus saltos-altos tocando o chão, tal qual os pés de uma leoa.
Ela saiu a caça esta noite, e se esgueira aqui e ali.
Os lábios vermelhos a cantar aquela melodia.
Sinuosa, enfeitiça os desavisados que a admiram.


Uma dose em seu copo e a fumaça a sua volta.
Faz do mundo seu parque de diversões.
Esta vida de sonhos partidos e ilusões passageiras é tudo o que ela tem,
Seu belo vestido negro, tudo o que ela realmente ama.


Quando ela fala, a todos conquista.
Pode ter tudo o que quiser em suas mãos.
Mas quando a noite termina vai embora como veio,
Pois até a gata sabe que até a Branca de Neve tem sua noite de Rainha Má."

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Passividade


"Sentada na janela, vejo o mundo passar bem diante dos meus olhos...
Começo a me entediar com a monotonia que tudo se tornou para mim.
De braços cruzados, decido a qualquer custo o rumo a tomar.


Com o sabor do fel da vida ainda na boca,
Com as lágrimas ainda escorrendo as faces,
Só penso em como cheguei até aqui.


Como tal permissividade invadiu meu peito,
Me fazendo ser aquilo que nunca fui?
E pior é a latência e a dormência que me dominam...


Dividida entre o permanecer e o andar,
Fragmentos da alma se dividem,
Ferimentos cada vez maiores.


Ante o desafio de viver, decidir não é uma opção.
E antes que me consuma em meu próprio sangue,
Deixarei queimar como rastilho."


Porque certos dias, me levanto da cama como se estivesse carregando uma bola de ferro presa ao meu pé. Encaro o mundo, não porque queira, mas porque devo. 
E quando me deito, agradeço que acabou e eu sobrevivi. As lágrimas secam, os sorrisos morrem, e mesmo com todas as falsidades, sinceridades, abraços, etc., no fim sou só eu, deitada na minha cama, esperando por uma manhã, que poderá ser cinza ou gloriosa, mas não importa onde eu tenha parado, não terei escolha se não prosseguir.