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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Do que é feito um rei.


Passei diante daquele que há muito e por muito tempo, foi o senhor de mim, e vi que ele nada mais é que apenas mais um plebeu no meio da multidão.
Como pude tratá-lo como um soberano, se ele daria diamantes aos porcos?
Como pude dar a ele um tesouro que ninguém mais teria, e não perceber que ele nunca entenderia o valor daquilo que lhe era ofertado?
 Fui mesmo uma tola em pensar que seria capaz de ensinar um qualquer a ser um Lorde digno de ocupar o trono, de governar um reino rico, lindo e cheio de magia. Mas não poderia saber que por trás daqueles lindos olhos que tanto me encantavam com toda aquela doçura e calor, se escondia um pobre diabo que nada sabia sobre o que é ter tanto nas mãos, mas não ouso dizer que fui enganada, nem que sabia o que estava fazendo. Posso apenas dizer que julguei mal aquilo que escolhi como senhor de mim, e que agora vivo tempos de anarquia no coração, pois nem mesmo eu, consigo segurar a rebelião que a queda deste rei criou aqui. Apenas espero que ele encontre seu lugar no mundo, mas que certamente não é no meu, mas foi, por um longo tempo, mesmo quando ele já havia abandonado o trono, pois eu ainda era a sua rainha, e aguardava, em vão por seu retorno. Mas agora percebo que ele nunca reinou de fato, eu o nomeei rei, mas um rei é feito mais do que de roupas belas, uma coroa e um trono.
Vejo agora, ao vê-lo como o plebeu que é compreendendo finalmente que não se pode apenas dar a alguém o poder, se este não souber usar, pois de nada vale dar o trono a um fraco, que diante da primeira decisão que tiver de tomar, irá se curvar de joelhos e entregar a coroa ao primeiro que tentar tomá-la. Poder não se ganha, se conquista. E nem que ninguém governará sozinho um reino que é meu por direito, e mérito.
Agora sei que um dia alguém lutará contra os anarquistas, para restabelecer o reino, um guerreiro que não precisará de armadura reluzente e um cavalo branco, apenas vontade, força, e coragem para governar e restaurar o reino e desfrutar de sua rainha. Alguem que saberá partilhar a dor dará valor ao mais ínfimo detalhe de sua coroa e adorará a simplicidade do castelo que ele por mérito conquistará.
Mas enquanto o tempo de paz não chega, eu aqui, tento pacificar a rebelião a espera daquele que será o verdadeiro nobre, de coração e atos, que terá a honra de governar ao meu lado, e não mais acima de mim.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Doces prazeres.

Tão doce é o mel que escorre de teus lábios.
O gosto agridoce que me escorre pelos dedos.
Os sussurros abafados entre os lençóis.
Tua força e nosso desejo.

Numa fusão de corpos, somos um feito de dois.
Movidos pelo desejo, somos dois feitos de um.
Na ritmo de nosso amor, 
Tuas mãos correm meu corpo.

Em meus quadris, faço uma armadilha para lhe capturar.
Minhas mãos lhe trarão a recompensa que procura.
Vou me embriagar de você.
Dar a essas paredes segredos.

Vou partilhar aquilo que é mais oculto.
Lhe dar aquilo que sempre procurou.
Nestas curvas vou lhe entregar o paraíso.
Hoje serei o que você sempre sonhou.


Para realizar os seus desejos,
Foi para isso que vim até aqui.
Revelar os meus segredos,
Te levar onde ninguém mais chegou.


Nesse tempo de te puxar e soltar.
Um suspiro de ti arranquei.
Minhas marcas vão ficar em você,
O meu paraíso em você eu achei.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Êxtase.

"Os olhos, que são de não ver.
Os lábios, feitos para não dizer.
As mãos tocando a curva dos quadris.
E te puxo, te capturo e envolvo.


Os olhos presos um ao outro.
Palavras no ar, verdades não ditas.
As estrelas a olhar.
O ritmo marcado, o compasso do corpo.


Se vai e se vem, muda e volta.
A eletricidade corre.
Tudo se funde.
O veneno se espalha.


E sem nada saber,
Deixo em ondas o êxtase invadir.
Teu gosto, doce e amargo.
E os olhos continuam cerrados."

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Fogo.

"Despejo neste copo, mais uma dose de desejo.
Permito meus sentidos a vasculharem por aí,
Encontro seus olhos, seu lindo corpo, sob as luzes piscantes.
A fumaça, os sons do resto do mundo, nada são diante de ti.

Me perco em pensamentos, tentando te alcançar.
Não sei como explicar o magnetismo desses olhos.
Mantenho os pés firmes, a mente voa.
Tenho certeza que esse corpo será meu.

De repente estás comigo.
Numa doce onda de prazer te tomo e te domino.
Um prazer culpado, guloso e intenso.
Uma lembrança ardente que não se perderá.

Te deixo a dormir, 
Parto deste quarto, tão de repente quanto te quiz.
Guardo a latencia que causa em mim,
Mas nunca mais desejarei como essa noite."