"Percebes no peito o palpitar inquieto de uma certeza partida.
A lágrima que escorre pelas faces, é gota de chuva,
A tempestade se aproxima e o trovão já se pode ouvir.
Na quietude do mundo, tudo o que resta é aguardar...
E estes olhos ainda meninos inocentes,
Conhecerão ainda a beleza do amar incondicional,
Saberão a dor e a miséria que o mundo esconde em seus confins,
E tornarão a chover e o peito tornará a trovejar.
Tudo parecerá perder o sentido simples,
Da visão que esta candura e doce ignorância davam por deleite do mundo.
Mas novos rumos se criam quando o caminho precisa ser mudado,
E teus pés te levarão ao caminho que precisar ser seguido.
Apesar das certezas partidas e ilusões esclarecidas,
Um novo mundo, com novas regras se abrirá diante de ti.
E teu despertar sereno do mundo das ilusões,
Trará o reconhecimento de uma realidade de infinitas possibilidades.
Saber-se-á que o tempo é eterno e nós não,
Mas isso apenas trará sabor a vida que morte um dia ceifará.
E enquanto a placidez do tempo se instala novamente em seu seio,
Morte e vida se alternam numa guerra que ninguém pode vencer."
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segunda-feira, 19 de março de 2012
sábado, 14 de janeiro de 2012
Identidade
Hoje não tem poesia, não tem música, nem melodia. Hoje não tem criança nas ruas a brincar, não tem gente a dançar e nem alegria. Hoje eu só quero curtir o silêncio que fica após a morte de alguém querido.
Estranho é, quando o alguém é você, que você sente que tudo escorre pelos dedos, que você se sente como um espelho que caiu no chão e ainda foi pisado. E quando você veste o luto de si mesmo, assume uma mortalha que te mata ainda mais. E devagar vai morrendo, vai deixando de ser... E eu não quero morrer, não pra sempre, mas preciso me partir e quebrar, sangrar até o fim, preciso chorar até secar!
Preciso morrer, para reviver, para ser um eu novo, com cara de velho... Preciso mudar, e ser igual. Terei de passar pelo luto, para matar em mim, o que me mata para o mundo, devagar e em silêncio... Hoje vou curtir o luto, não vou festejar, vou tentar me entender, aceitar o que mudou.
Sinto a vontade de cantar um réquiem, e deixar a tristeza me envolver, de deixar morrer tudo aquilo que envenena, e tentar expurgar o lado ruim. Quero uma nova identidade, um novo nome, uma nova vida.
E hoje vou morrer, e enlutar, para amanhã ver as cores voltarem e dançar com as crianças nas ruas e festejar o nascimento de um novo ser. EU.
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